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Os orientais acreditam que todas as pessoas possuem uma certa "função" na vida. A função é algo
mais simples que uma "missão". Somente os líderes é que nascem com missões que devem realizar. A função de uma pessoa é o papel que ela vai desempenhar na vida comunitária. Manuel é padeiro, Tanaka é tintureiro e assim por diante. Os orientais acreditam também que o nome da pessoa deve ser coerente com a função que ela vai desempenhar na vida.
Imaginem um pacificista ou um monge com o nome "Bravo Guerreiro". Ou então imaginem um trabalhador braçal que fica o dia todo abrindo buracos na rua com o nome de "Orvalho da Manhã".
Pois é! Quando nasce uma criança, o grande desafio dos pais é descobrir logo a "função" que esse recém nascido vai desempenhar na vida, pois a escolha do nome deve ser feito em coerência com isso. Para isso existe um costume (quase um ritual) que é o seguinte.
Em todo lugar, mesmo que seja um pequeno lugarejo isolado do mundo, existe uma pessoa que por todos é respeitada. Em geral é um monge antigo. Quando nasce uma criança, imediantamente o monge é convocado para descobrir a função daquela criança.
O monge vem até a casa do recém nascido, percorre os cômodos e diz aos pais que se trata de uma tarefa difícil e que ele irá necessitar da ajuda dos astros e que para isso precisa consultar o oráculo. Dizendo isso retira-se para uma capela nas montanhas. Passam-se dias e o povo daquela aldeia está com a anciedade crescente e todos se perguntam: "Quem é ele? (o recém nascido)". Será que ele é "Aquele que vai promover uma Boa Colheita"?, ou será "Aquele que vai reatar a amizade com a aldeia vizinha"? E assim, todos ficam especulando sobre as possíveis funções do recém nascido.
Finalmente, após alguns dias, ressurge o monge e dirige-se, a passos firmes, em direção da casa do recém nascido. O povo da aldeia larga o trabalho e todos seguem o monge.
Chegando à entrada da casa, o monge anuncia: "Finalmente foi-me dada a honra de conhecer a função e agora eu sei quem ele é". Dizendo isso, saca do bolso um papel onde está escrito o nome da criança e ele fixa esse papel na porta de entrada da casa. Feito isso o monge retira-se, silencioso, para o seu monastério.
Todos se aproximam do cartaz, lêem o nome da criança e ficam aliviados. Nessa hora é comum ouvir palavras como "Finalmente", "Ainda Bem", "Deus seja louvado", etc.
Esse ritual é conhecido como Cerimônia do Anúncio do Nome e é praticado em quase todos os países do leste asiático.
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